| Um estudo do Ipea, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, mostra que é necessário melhorar o nível da educação para que menos gente dependa dos programas sociais do governo. A falta de qualificação dos estudantes e dos trabalhadores no Brasil é motivo de preocupação para os economistas ligados ao governo. Um estudo do Ipea, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, mostra que é necessário melhorar o nível da educação para que menos gente dependa dos programas sociais. Lucas Mendes Júnior viveu do dinheiro do seguro-desemprego nos últimos cinco meses. Mas durante esse período não recebeu treinamento para se adequar às exigências do mercado de trabalho. Sem nada novo para oferecer, Lucas repetiu a rotina de bater em muitas portas para ouvir o que já sabia: “Emprego tem bastante, mas falta especialização”, disse ele. Segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a falta de preparo do trabalhador leva a uma alta rotatividade do mercado, o que aumentou em 14% o número de pedidos do seguro-desemprego no ano passado em comparação com 2005 e aponta: o grande desafio do governo é ir além do assistencialismo Para o Ipea, as . |
políticas sociais estão no caminho certo. Cita o aumento real do salário mínimo, o Bolsa-Família e a inclusão de empregados domésticos na previdência como exemplos. Mas alerta para a necessidade de o governo capacitar para o mercado de trabalho quem hoje recebe ajuda financeira. “As políticas sociais agem no entorno das condições de vida da população. Agora elas, por si só, não geram emprego”, explicou o vice-diretor do Ipea, José Celso Cardoso. O especialista em educação Cláudio Moura e Castro defende uma alternativa para melhorar o nível do trabalhador. “O ensino técnico, o ensino voltado pra uma profissão, tem muito sentido. Ele é essencial”. Aí entra uma outra preocupação do Ipea: a qualidade da educação. Quase 100% das crianças têm acesso ao ensino fundamental. O governo investe por ano em educação 4% do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todos os bens e serviços produzidos no Brasil. Segundo o Ipea, deveria investir 6%. Mais dinheiro para melhorar os salários dos professores e a formação dos alunos, que vão para o mercado de trabalho, cada vez mais exigente. “Ele quer uma pessoa que tenha bom senso, que tenha lógica de raciocínio, pessoa que saiba |
trabalhar em grupo, que saiba se comunicar, que entenda o que é comunicado a ela, que entenda o que lê”, disse o economista José Pastore.
O ministro da Educação Fernando Haddad aumentou os investimentos no ensino profissionalizante e já foi aprovado uma lei que garante melhores salários aos professores. “Um piso nacional muito acima do atual, que é o salário mínimo”. Para o Ipea, nenhuma política assistencialista vai dar resultado a longo prazo se a economia brasileira não crescer ao menos no nível registrado neste ano, gerando emprego para quem está fora do mercado de trabalho. O governo deve aproveitar o crescimento para reduzir as desigualdades regionais e o assistencialismo. O senador Aloizio Mercadante, uma das lideranças do PT no Senado, concorda. “A mais importante política de inclusão social é o emprego, é a carteira de trabalho assinada, e ela só vem se tiver crescimento econômico acelerado. Nós geramos oito milhões de empregos nestes quatro anos e só vamos ter crescimento acelerado se tiver investimento. Por isso, o governo tem que preservar o investimento dentro do orçamento da União”. |