Traçar um perfil profissional é sempre um desafio, especialmente quando se procura delinear uma atuação no futuro, quando o exercício profissional ainda não ocorreu. Mais fácil é descrever o perfil daqueles que foram nossos professores, pois vivemos no cotidiano escolar a forte presença dos saudosos mestres.
Para uma visão conservadora, o perfil profissional a ser formado é aquele que corresponda aos traços observados naqueles que nos ensinaram. Arriscaria afirmar que o professor formado sob essa ótica é a soma de profundos conhecimentos sobre os diversos momentos do processo de ensino.
Mas, o que há de novo? A Ciência tem evoluído com maior velocidade e as teorias nascem em intervalos menores de tempo. De Comenius a Herbart a teoria esperou por quatrocentos anos para uma mudança paradigmática. Entretanto, do início do Século XX até os dias atuais as mudanças teóricas ocorreram de forma muito veloz. Comportamentalistas, Cognitivistas e Humanistas apresentaram novas formas de ensinar e buscaram explicar, cada um a seu modo, como se dá a aprendizagem.
Ao mesmo tempo em que teóricos anunciavam suas descobertas no campo educativo, a sociedade tem-se aproximado do que McLuhan chamou de “aldeia global”, rompendo o isolamento provocado pela distância entre povos e comunidades, usando para isso meios de comunicações de massa, que informam e entretêm pessoas em tempo real.
Nesse cenário, ao professor de qualquer nível de ensino é exigido possuir novas competências, a tornar-se um profissional de ofício, além de ser um sacerdote do magistério. A Escola não pode mais estar alheia a modernidade, aos avanços tecnológicos. Exigem-se novas posturas e atitudes do profissional do ensino. Não basta somente o saber erudito. Não basta mais o conhecimento de algumas teorias de ensino. Não basta ser um repositório de conhecimentos sistematizados. O foco deslocou-se do conteúdo acumulado pelo professor para a aprendizagem do aluno. Isto é, o centro das teorias educativas deslocou-se do binômio conteúdo-professor para o aluno, que aprende e aprende a aprender. Ao professor cabe um papel coadjuvante, facilitando a aprendizagem, sem necessariamente exercer o papel daquele que ensina.
Assim, o professor mediatiza o processo entre aprendiz e o conhecimento sistematizado.
É inegável o valor das tecnologias educativas como instrumento a serviço da Educação. A fotocopiadora, o vídeocassete, a televisão, o rádio, o projetor de slides, o retroprojetor eo satélite são exemplos de tecnologias educativas de uso corrente nas salas de aulas. Isso é Educação a Distância ou ensino semipresencial.
A essas tecnologias juntou-se o computador, o projetor multimídia e as tecnologias da informática que aumentam o potencial do professor na prática pedagógica, mas não o substitui.
Uma palestra, conferência ou apresentação de um tema qualquer podem ser realizadas com o projetor de multimídia conectado a um computador com o software apropriado. O emprego da multimídia numa situação dessas, aumenta a atenção do público, motiva pela novidade, cores, sons e imagens integradas. Enriquece o conteúdo a ser apresentado, valorizando o palestrante, conferencista ou apresentador.
Assim, a Educação a distância vem ser um diferencial para quem quer aprender e desenvolver sua autonomia. Não é difícil, mas melhor de entender. Compare: um vulcão em erupção pode ser apresentado ao vivo, em tempo-real, aos alunos da disciplina sem que seja necessário deslocar-se até a região onde o fato está ocorrendo, a um simples clicar do mouse.
Pode-se, também, com as tecnologias da informática elaborar uma aula, armazená-la num local distante e a qualquer tempo, de qualquer lugar com acesso à Internet, os aprendizes interagirem com o material disponível e aprenderem. Realizando novas formas de comunicação e interação, pode-se constituir grupos de estudos entre alunos remotos, conversar com o professor-produtor da aula, esclarecer dúvidas com tutores(professores orientadores), orientadores ou monitores. Enfim, levar o ambiente de aprendizagem para o aluno desenvolvê-lo com autonomia.
O professor recém-egresso da licenciatura deve ter em seu perfil profissional as competências necessárias ao emprego sistemático e eficaz das tecnologias educativas, mesmo que a escola onde trabalhará no início da carreira não possua tais facilidades tecnológicas. O futuro ainda não chegou, está sendo construído agora, no presente. Logo, temos que estar preparados para viver nesse novo cenário educacional, e mesmo, nos futuros cenários que nenhuma idéia temos sobre eles, pois ainda estão por vir. Não podemos formar profissionais para a escola do Século XXI, descontextualizados da realidade que os esperam.
O bom senso indica que é urgente planejar ações visando erradicar o “analfabetismo tecnológico” entre os professores. Por outro lado, existe uma significativa massa de profissionais que superaram a barreira do analfabetismo digital e necessitam de obter fluência tecnológica para operarem com tecnologia digital e suas redes. O estabelecimento do equilíbrio entre os dois extremos é tarefa para os formadores de professores. A ação tem um locus ideal para ocorrer: nas Instituições de Ensino Superiores.
Autora: Profa. Dra. Terezinha Rodrigues Chaves da Costa
Educadora.